Didi Mocó
Didi Mocó é o personagem de maior sucesso interpretado por Renato Aragão. O personagem é tão famoso que Renato Aragão é mais conhecido pelo nome Didi do que pelo seu próprio nome. O nome completo do personagem Didi é Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbbo (por vezes, Didi ao mencionar seu nome completo, alertava que o nome Mufumbbo é "com dois bês").Didi foi interpretado por Renato Aragão não só apenas no programa televisivo dos Trapalhões, onde era o líder do quarteto e um dos Trapalhões mais engraçados, mas também em vários filmes do grupo, nos programas A Turma do Didi, Acampamento de Férias, Aventuras do Didi, Criança Esperança e nos programas Especiais da Rede Globo.
Renato Aragão nasceu em Sobral, interior do Ceará, em 13 de janeiro de 1935. Eram 7 irmãos. O pai, o poeta Paulo Aragão e a mãe, a professora Dinorá, sempre incentivaram a criatividade dos filhos. Foi assim que Renato, apesar de funcionário do Banco do Nordeste, no período da tarde, de manhã cursava a Faculdade de Direito, que levou até o fim e se formou. Mas o jovem tinha um sonho. E quando foi inaugurada a TV Ceará, pertencente às Emissoras Associadas, foi lançado um curso para formar o primeiro elenco de atores, produtores, redatores. Renato Aragão se inscreveu e foi aprovado. Fez tudo sozinho. Era um esquete, sem falas, que ele criou e interpretou. Nascia ali um mito. Renato já tinha descoberto sua veia humorística, quando serviu o exército. Ele era a “atração” e os colegas pediam sempre que se exibisse. Foi assim que criou o personagem ingênuo e brincalhão, inspirados em seus maiores ídolos: Charles Chaplin e Oscarito. Em 30 de novembro de 1960 lançou seu programa: “Vídeo Alegre” pela TV Ceará, hoje TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo. Sua fama chegou ao Rio de Janeiro e ele passou a fazer o “A – E – I – O – Urca”, na TV TUPI do Rio. Em 1966, ao lado de Ivon Cury, Teddy Boy Marino e Wanderley Cardoso, criou os “Adoráveis Trapalhões”, para a TV Excelsior. A fórmula deu certo. E em 1975, na TV TUPI, foi lançado “Os Trapalhões”, já com os personagens: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Essa união trouxe frutos imensos, incontáveis. Seus programas sempre deram índices muito altos. Eles se transformaram nos ídolos das crianças, embora fossem admirados também por jovens e adultos. Fizeram muitos filmes e todos de sucesso. Mas a vida foi ingrata e para o profundo sofrimento de Renato Aragão, dois de seus companheiros vieram a falecer. Primeiro foi Zacarias, o mineiro que nasceu em Sete Lagoas, no dia 18 de janeiro de 1934. Depois foi Mussum, que nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de abril de 1941. E fazia parte do conjunto musical Os Originais do Samba. Renato Aragão caiu em depressão e custou a se levantar, tal a dor que sentiu. Hoje faz o programa: “A Turma do Didi”, ainda na Rede Globo de Televisão. Ele é também Embaixador da Unicef no Brasil, um verdadeiro representante da alegria simples e genuína das crianças brasileiras. Na década de 90 inteira, o programa “Os Trapalhões” conseguiu 60 pontos de ibope. Foi por essa ocasião também que apareceu no livro dos Recordes, Guinnes Book, como o grupo de humor mais longo da televisão do mundo. O nome que Renato Aragão criou para o seu personagem é: Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumo, mais conhecido simplesmente por Didi.
direção, lembra bem desses tempos: Era um sufocoNo Ceará, todo mundo passou a me reconhecer. Fiquei famoso da noite para o dia. Não conseguia andar em paz. Mas o sucesso não ficou restrito ao Ceará. Ecos de sua popularidade e talento chegaram no Rio de Janeiro. Eles ficaram sabendo que tinha um cara em Fortaleza fazendo um treco diferente, conta Renato.
Em 1964, Renato já estava na Cidade Maravilhosa e Didi passou a ser personagem do humorístico A-E-I-O-URCA, da TV Tupi do Rio, segundo ele, para fazer graça quase de graça. Renato conta que sua estada no Rio acabou sendo maior do que ele esperava. Achava que tinha vindo para o Rio para passar um tempo. Ia fazer o programa e voltar para o Ceará para cuidar da minha vida. Muito pelo contrário, o destino guardava muito mais para Renato Aragão. O ano de 1966 ficaria marcado para sempre na história da televisão brasileira.
Renato Aragão atuava ao lado de Ivon Cury, Teddy Boy Marino e Wanderley Cardoso em Adoráveis Trapalhões, na TV Excelsior - programa que acabou por inspirar o formato do sucesso posterior de Os Trapalhões.Da Excelsior, Renato Aragão foi para a TV Record, onde participou de vários programas humorísticos, entre eles, É uma graça, mora?, Praça da alegria e Os Insociáveis, de 1972. Em 1975, já na TV Tupi, completava-se a formação definitiva do quarteto Os Trapalhões com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Depois de um longo namoro, em 1976, Renato Aragão foi para a Rede Globo, levando o sucesso e a audiência de Os Trapalhões. Em 1977, nascia a Renato Aragão Produções Artísticas Ltda., empresa para cuidar da imagem e de seus negócios daquele momento em diante.
A fórmula de Os Trapalhões ficou eternizada e não parou de ser imitada: esquetes ingênuos, humor inocente, preocupação infantil e muita descontração.
Com a perda dos companheiros, Renato Aragão pensou em parar. Mas percebeu, a tempo, que seria a pior coisa a fazer. E teve que, mais uma vez, trilhar sozinho o seu caminho. A oportunidade bateu à porta. A convite da SIC (Sociedade Independente de Comunicação), emissora portuguesa, Renato foi para Portugal, onde ficou trabalhando por três anos. A série de programas que gravou repetiu o sucesso brasileiro e foi líder de audiência no horário. Até hoje, toda essa história passa diante dos olhos de Renato como um filme. Filme que Renato bem poderia ter feito, afinal, desde o início da sua carreira, ele soma 41 fitas em seu currículo.A primeira data de 1965 - Na Onda do Iê Iê Iê, uma paródia dos filmes dos Beatles. Foi mais do que uma realização profissional, foi a concretização de um sonho. Quando eu vim para o Rio, queria mesmo era fazer cinema.
No Ceará, eu ia ao cinema 17, 18, 19 vezes ver o mesmo filme. Se fosse filme do Oscarito, ia todos os dias da semana. O cinema sempre foi um compromisso para Renato. De 1972 a 1991, não deixou de aparecer um ano na telona - chegando a lançar dois títulos em alguns anos. Na década de 90, o ritmo diminuiu um pouco, mas a qualidade de seus filmes continuou a mesma e crianças e adultos de todo o Brasil continuaram prestigiando Renato no cinema.
O cinema sempre foi um compromisso para Renato. De 1972 a 1991, não deixou de aparecer um ano na telona, chegando a lançar dois títulos em alguns anos. Na década de 90, o ritmo diminuiu um pouco, mas a qualidade de seus filmes continuou a mesma e crianças e adultos de todo o Brasil continuaram prestigiando Renato no cinema. A carreira de Renato no cinema é das mais invejáveis. De 1965 até 2000, são 41 filmes, 41 sucessos - sendo que sete deles fazem parte da lista das maiores bilheterias do cinema nacional. Mais do que um produto, Renato fez do cinema sua máquina de sonhos. Com seus filmes, viajou pelo mundo todo, interpretou os mais clássicos personagens da literatura e contracenou com tipos imortais.
Renato já foi Ali Babá, Mosqueteiro, Aladim, Lampião. Já filmou em Serra Pelada, Marrocos e em Hollywood, chegou mais longe e foi até mesmo no planeta dos macacos. Tudo que fazia era sucesso: na TV, seu Ibope era o mais alto do horário; no cinema, ninguém batia suas bilheterias; na música, vendia discos como os grandes artistas da indústria fonográfica. Mas havia ainda muitas críticas em relação ao seu trabalho - muitos destilavam preconceito contra o humor ingênuo e brincalhão do personagem Didi. Outros rotulavam seu trabalho como popular, como se isso fosse uma ofensa.
Renato nunca se importou. Sabia que realizava, ao mesmo tempo, seu sonho e o de milhares de crianças de todo o Brasil. Paralelamente, ícones da alta cultura rendiam-se ao talento de Renato. Caetano Veloso gravou uma música para Os Trapalhões, chamada Jeito Corpo. Chico Buarque também fez sua homenagem com Pirueta. Mas todos os elogios do mundo não fariam Renato mudar. Ele continuou o mesmo palhaço de sempre. E faz questão de ser chamado de palhaço. Prefiro ser chamado assim. A única diferença é que não pinto a cara para aparecer na TV. Mas gostaria. Sinto falta de ter essa experiência.Quando pisei num picadeiro eu já era famoso, já era um trapalhão. E foi uma experiência maravilhosa. Para Renato, só existe uma única diferença entre o humorista e o palhaço: É o preconceito. As pessoas não aceitam o humor ingênuo do palhaço. Esse humor ingênuo que Didi carrega consigo desde 1960, ele aprendeu nas telas de cinema, vendo seus maiores ídolos: Charles Chaplin e Oscarito. Mas se Renato tem seus ídolos, é ídolo de muita gente. Em maio de 1999, a revista Época pesquisou e publicou os brasileiros que inspiravam mais confiança nos brasileiros.
No topo de uma lista de 25 nomes estava Renato Aragão, com 82% dos votos dos entrevistados. Uma confiança e sinceridade que aprendeu com os pais e sempre passou para os filhos. Mas Renato ensinou muito mais às suas crias. E muitas das vezes traçou o destino de seus filhos apenas fazendo o que gostava. E o que ele mais gostava além de cinema? Ele me levou para ver 2001 - Uma Odisséia no Espaço, do Stanley Kubrick. Foi nessa tarde de 1968, dentro daquela sala de cinema, aos oito anos de idade, que decidi o que queria fazer quando crescesse: cinema, lembra o filho primogênito, Paulo Aragão Neto. Um de seus filmes de maior sucesso, Simão, o fantasma trapalhão, de 1999, foi dirigido por Paulo Aragão, 38 anos, e a trilha sonora foi assinada por Ricardo Aragão, 36 anos, e Renato Aragão Júnior, 30 anos. Todos estreavam nas funções, mas estavam mais do que acostumados a viver o pique de uma gravação. A parceria com o filho diretor deu tão certo que Renato Aragão não hesitou em repeti-la no filme seguinte, O Trapalhão e a Luz Azul, e ainda no seu atual programa de TV, A Turma do Didi.Mas a família Aragão ainda tem outros talentos. Ricardo Aragão e Renato Aragão Júnior são músicos e produtores musicais.Sua filha Juliana, mesmo morando nos Estados Unidos, não se desligou da fábrica de imagens. Dedicada à informática, está sempre sugerindo inovações.

Nenhum comentário:
Postar um comentário